Nas últimas décadas, o crescimento das cidades, o isolamento das famílias e o desenvolvimento da tecnologia prejudicaram enormemente a relação entre pais e filhos. Os primeiros, cada vez mais enfraquecidos, sentem que perderam o contato com os filhos. Estes, por sua vez, não vivenciam um senso de pertencimento e parecem estar à deriva.
Diante dessa realidade, os psicólogos Haim Omer e Heloisa Fleury apresentam neste livro instrumentos eficazes para que os pais reassumam seu papel e construam relacionamentos sólidos, sinceros e construtivos com os filhos. Baseando-se em conceitos como presença, autocontrole, persistência, apoio externo e limites amorosos, os autores desenvolvem o conceito de cuidado vigilante - que, dependendo do contexto, pode se desdobrar em atenção aberta, atenção focada e medidas unilaterais.
Entre os assuntos abordados aqui estão a superproteção, a privacidade como conceito "sagrado", a importância da aliança entre pais e escola, as melhores formas de lidar com os medos das crianças e os perigos de negligenciar sinais que podem indicar problemas. Um capítulo especial discute o efeito devastador das telas e da internet na vida de crianças e adolescentes e oferece propostas para combatê-los.
A cada hora, três crianças e adolescentes são abusados sexualmente no Brasil. Se a esses números somarmos os maus-tratos, chegamos a inacreditáveis 85 mil casos de violência registrados por ano contra esses jovens. E, como sabemos, o índice de subnotificação é altíssimo. Quando uma criança ou um adolescente é vítima de qualquer tipo de abuso, toda a família sofre. Os pais muitas vezes não conseguem conversar com os filhos sobre o assunto, o que perpetua a situação de violência e provoca marcas indeléveis na relação. Como mudar essa realidade? Partindo de sua experiência de mais de três décadas lidando com famílias em situação de vulnerabilidade social, Marlene Marra elaborou um protocolo para atendê-las em instituições. A base de seu trabalho é o cuidado vigilante (CV), abordagem criada pelo psicólogo Haim Omer e adotada com sucesso em vários países. Além do CV, a autora recorre a conceitos como resistência parental não violenta, pensamento sistêmico e construcionismo social. Para facilitar a aplicação do protocolo, Marlene utiliza técnicas do psicodrama, como o duplo e o ego auxiliar. O resultado prático das intervenções pode ser acompanhado neste livro. Se, de início, as famílias chegam ressabiadas e temerosas, aos poucos o diálogo se instala e o medo dá lugar ao diálogo e à ressignificação de histórias. Utilizando os conceitos aprendidos ao longo dos atendimentos, pais, filhos, avós e apoiadores constroem uma nova relação, baseada no cuidado, na presença e na esperança.